quarta-feira, 1 de abril de 2026

🌿 Mensagem ao Prof. Ronaldo Carneiro

Ronaldo,


Quero agradecer profundamente pela sua generosidade e pela deferência em dizer que a minha opinião tem peso sobre um tema tão essencial e que você vem desenvolvendo com tamanha dedicação, lucidez e coragem ao longo de décadas. Sinto-me verdadeiramente honrado por poder dialogar com alguém que não apenas pensa o país, mas o sente em sua complexidade — com o olhar do intelectual, do cidadão e do ser humano comprometido com o destino coletivo.


A sua tese me tocou profundamente porque revela um pensamento maduro, coerente e absolutamente necessário para o momento histórico em que vivemos. Assim como você, sinto-me inquieto diante de um modelo capitalista que se tornou refém de sua própria lógica de acumulação, privilegiando o lucro imediato de poucos acionistas em detrimento do bem-estar da maioria. É um sistema que, embora tecnicamente eficiente, tem se mostrado moralmente esgotado. O resultado está diante de nós: a desigualdade social crescente e o aumento diário da população em situação de rua — um retrato doloroso de um país que produz riqueza, mas falha em distribuir dignidade.


Esse cenário me mobiliza profundamente. Tenho refletido, cada vez mais, sobre o papel que posso desempenhar dentro dessa engrenagem, especialmente por atuar como profissional e empresário de tecnologia, promovendo avanços em Inteligência Artificial, Aprendizado de Máquina e automação. Paradoxalmente, as mesmas inovações que representam o progresso científico e a modernização da economia também aceleram a substituição do trabalho humano, ampliando o desemprego estrutural e, consequentemente, a desigualdade. Essa constatação me inquieta, porque sei que cada linha de código, cada algoritmo e cada sistema automatizado, por mais brilhante que seja, pode também representar o desaparecimento de oportunidades para quem vive do esforço manual e não teve as mesmas condições de acesso à educação e à tecnologia.


Por isso, a sua proposta me inspira tanto. Ela transcende o discurso econômico e aponta para uma nova consciência coletiva — uma consciência que você traduz com clareza ao propor um Pacto Social genuíno entre Estado, empresários e sociedade. Um pacto que supere a lógica da competição predatória e inaugure uma era de cooperação, corresponsabilidade e propósito comum. Um pacto que una produtividade à compaixão, eficiência à justiça, e inovação ao compromisso ético com a vida humana.


Acredito que o que você propõe é, na verdade, um novo contrato civilizatório, no qual o empresário deixa de ser apenas um agente econômico para se tornar um agente de transformação social. Esse é o verdadeiro sentido do capitalismo evoluído: um modelo em que o lucro é consequência natural de um conjunto de práticas sustentáveis, éticas e humanizadas, voltadas à preservação do meio ambiente, à valorização das pessoas e à promoção da equidade social.


E é justamente aí que encontro um ponto de convergência profundo com a minha própria visão de mundo. Também acredito que o futuro dependerá da nossa capacidade de unir tecnologia e humanidade, razão e empatia, conhecimento e sensibilidade. Não podemos aceitar que a automação — fruto da nossa própria inteligência — sirva para excluir; precisamos fazer com que ela sirva para incluir, para libertar e para ampliar as possibilidades de vida digna.


Ronaldo, quero que saiba que estou ao seu lado nesse propósito. Estamos juntos nessa construção de um Pacto Social capaz de reconciliar o desenvolvimento econômico com o desenvolvimento humano, a inovação tecnológica com a justiça social, o empreendedorismo com a solidariedade. Suas ideias me fortalecem, me inspiram e me ajudam a acreditar que ainda é possível alinhar progresso com humanidade.


Agradeço profundamente pela confiança, pela inspiração e pela coragem de afirmar uma tese que, mais do que uma visão econômica, é um chamado ético para o nosso tempo. Que esse diálogo se amplie e multiplique, unindo pessoas que, como nós, acreditam que o verdadeiro avanço não é aquele que mede o crescimento do PIB, mas o que eleva o valor da vida humana.


Com respeito, admiração e total sintonia,

Oscar Kenjiro Norimassu Asakura

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